Como Ancorar um Barco: Um Guia Completo para Skippers
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Como Ancorar um Barco: Um Guia Completo para Skippers

Ancorar parece simples até o barco garrar às duas da manhã. Este guia cobre as partes que realmente importam — escolher uma âncora, quanto scope largar, fixá-la para que aguente, e as técnicas de uma e duas âncoras que todo o skipper deve conhecer.

Última atualização: 19 June 2026 · Por Askolds Hermanis, Fundador & Instrutor de Vela (SkipperCheck / Nautica, desde 2008)
Resposta rápida: Escolha um local com bom aguante e espaço para bornear. Aproxime-se devagar de proa ao vento ou à maré, pare sobre o local e fundeie a âncora — nunca a atire. Largue scope (cerca de 5:1 para corrente, 6–8:1 para cabo) à medida que o barco cai para trás, depois fixe a âncora recuando suavemente e verificando um enfiamento em terra. Registe a sua posição e profundidade, e mantenha vigia de fundeio.
Veja: tipos de âncoras e como aguentam. Mais clips nas nossas lições em vídeo.

Tipos de âncora e o fundo

Uma âncora aguenta ao cravar-se no fundo, por isso a escolha certa depende do tipo de fundo onde está a ancorar. As principais famílias:

Tipo de âncoraMelhor aguanteNotas
Arado — CQR / DeltaAreia, lodoFiáveis para todo o serviço; a Delta crava-se rapidamente. Favoritas de longa data no cruzeiro.
Pá moderna — Rocna, Spade, MantusAreia, lodo, mistoCravam-se depressa e fundo; alto aguante para o seu peso. A referência atual para cruzeiro.
Patas — DanforthAreia, lodo moleAguante excecional para o seu peso, arruma-se plana — mas fraca em algas e rocha. Popular como ancorote/segunda âncora.
Garra — BruceMisto, rocha, coralCrava-se facilmente em muitos fundos; menor aguante máximo do que uma de pá do mesmo peso.
Almirantado (fisherman)Rocha, algas, kelpModelo tradicional que se agarra à rocha e penetra nas algas onde as âncoras modernas escorregam.

A maioria dos cruzeiristas leva uma âncora principal de proa dimensionada com folga para o barco, mais uma segunda âncora de tipo diferente para algas, rocha ou como ancorote. Seja qual for a âncora, o aguante resulta da combinação de âncora, amarra e — fundamentalmente — scope.

Scope — quanta amarra largar

O scope é a relação entre a amarra (corrente ou cabo) largada e a profundidade da água, medida da roldana de proa até ao fundo. É o maior fator isolado para que a âncora aguente, porque controla o ângulo de tração sobre a âncora — quanto mais horizontal a tração, melhor a âncora se crava.

Meça a profundidade corretamente. Planeie o scope com a profundidade na preia-mar e some a altura da roldana de proa acima da água. Ancorar pela profundidade da baixa-mar e esquecer que a maré vai subir é uma forma clássica de acabar com scope a menos pelas 3 da manhã.

Escolher onde ancorar

Antes de a âncora ir ao fundo, leia a carta e o fundeadouro:

Fixar a âncora passo a passo

  1. Instrua a tripulação e prepare a âncora — corrente arrumada ou livre para correr, molinete ligado.
  2. Aproxime-se devagar, de proa ao vento ou à maré, e pare o barco sobre o local escolhido.
  3. Fundeie a âncora até ao fundo de forma controlada — nunca a atire, pois isso amontoa a corrente em cima da âncora.
  4. Largue scope à medida que o barco cai para trás com o vento/maré, deitando a amarra ao longo do fundo em vez de a despejar.
  5. Faça a amarra fixe quando tiver comprimento suficiente fora e deixe a carga atuar suavemente.
  6. Fixe a âncora recuando devagar (ou deixando o vento fazê-lo) e observando um enfiamento em terra. Aumente a potência à ré gradualmente para a cravar.
  7. Confirme e registe — anote a sua posição, profundidade e um enfiamento para mais tarde saber se se moveu.

Uma âncora ou duas

Para a maioria dos fundeios, uma âncora bem fixada com scope adequado é o melhor — permite que o barco borneie livremente e mantém as coisas simples. Duas âncoras servem para problemas específicos:

Ambos exigem mais perícia para fixar e recolher, e podem enrolar-se se o barco bornear no sentido errado — por isso reserve-os para quando uma única âncora genuinamente não chegar.

Detetar e lidar com garrar

Uma âncora que garra é uma das causas mais comuns de emergências noturnas. Apanhe-a cedo:

Se estiver a garrar: ligue o motor, tire a carga da amarra, e ou refixe com mais scope ou mude para um local melhor. Num fundeadouro apinhado, atue cedo — um barco a garrar põe em perigo todos os que estão a sotavento.

Erros comuns ao ancorar

Perguntas frequentes

Que comprimento de amarra (scope) devo largar?

Meça da roldana de proa até ao fundo na preia-mar. Para amarra toda em corrente, use cerca de 4:1 em condições calmas e 5:1 como regra geral; para cabo com troço de corrente, 6:1 a 8:1. Aumente o scope com vento ou ondulação.

Como sei se a minha âncora está a aguentar?

Depois de largar o scope, fixe a âncora recuando suavemente e observe um enfiamento — dois objetos fixos alinhados em terra. Se se mantiverem alinhados, está a aguentar; se se separarem, está a garrar. Reverifique depois de a carga atuar e sempre que o vento rodar ou refrescar.

Qual é o melhor tipo de âncora?

Depende do fundo. Âncoras de arado e de pá moderna (Rocna, Spade, Mantus) são excelentes para todo o serviço em areia e lodo; as âncoras de patas/Danforth aguentam soberbamente em areia mas não em algas ou rocha; as âncoras de garra (Bruce) cravam-se facilmente em fundos mistos. Muitos cruzeiristas levam duas âncoras de tipos diferentes.

Quando devo usar duas âncoras?

Use um fundeio à baiana (duas âncoras a ~180°) onde a maré inverte ou o espaço é apertado, e um fundeio em forquilha (duas âncoras à frente) para aumentar o aguante e reduzir a guinada num temporal. Para o fundeio comum, uma única âncora bem fixada com bom scope é o melhor.

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