COLREG Regra 18 Explicada — Responsabilidades Entre Embarcações
Guia em linguagem clara sobre a Regra 18 da COLREG — a regra que decide quem dá passagem quando dois tipos diferentes de embarcação se encontram. Navio a motor, à vela, pesca, RAM, NUC, CBD, hidroavião — a hierarquia de prioridade no mar, com as exceções das Regras 9, 10 e 13 explicadas.
- O que diz realmente a Regra 18?
- A hierarquia de prioridade da Regra 18 (a ordem de precedência)
- Regra 18(a) — Responsabilidades do navio a motor
- Regra 18(b) — Responsabilidades da embarcação à vela
- Regra 18(c) — Responsabilidades da embarcação de pesca
- Regra 18(d) — Embarcação condicionada pelo calado (CBD)
- Regra 18(e) — Hidroaviões e embarcações WIG
- Quando a Regra 18 NÃO se aplica — as exceções
- Por que “prioridade de passagem” é o termo errado
- Dicas de exame e confusões comuns
- Pratique a Regra 18 no simulador
- Perguntas frequentes
O que diz realmente a Regra 18?
A Regra 18 da COLREG — formalmente intitulada "Responsabilidades Entre Embarcações" — é a regra que resolve qual embarcação dá passagem quando dois tipos diferentes de embarcação se encontram. Existe porque embarcações com capacidades e limitações diferentes não podem ser tratadas da mesma forma numa decisão de prevenção de abalroamento. Um petroleiro carregado não consegue desviar-se de um pequeno barco à vela da mesma maneira que o barco se desvia do petroleiro.
A Regra 18 estabelece uma hierarquia de prioridade: quanto mais limitada for a capacidade de manobra de uma embarcação, maior é a sua prioridade. Um navio a motor em movimento tem a maior liberdade de manobra, pelo que tem a prioridade mais baixa — dá passagem a quase toda a gente. Uma embarcação sem governo tem capacidade de manobra nula, pelo que tem a prioridade mais alta — toda a gente lhe dá passagem.
A hierarquia de prioridade da Regra 18 (a ordem de precedência)
Listada da prioridade mais baixa (dá passagem a quase todos) à prioridade mais alta (de quem quase todos se afastam):
Prioridade da Regra 18 — de baixo para cima
- Hidroavião na água — Regra 18(e). Em geral, mantém-se bem afastado de todas as outras embarcações.
- Navio a motor (PDV) — o mais manobrável, prioridade mais baixa. Regra 18(a).
- Embarcação à vela — Regra 18(b). Mantém-se afastada das embarcações de pesca, RAM e NUC.
- Embarcação dedicada à pesca — Regra 18(c). Mantém-se afastada de RAM e NUC.
- Embarcação com capacidade de manobra restrita (RAM) — luzes da Regra 27(b) / marca bola-losango-bola.
- Embarcação sem governo (NUC) — luzes da Regra 27(a) / marca de duas bolas. No topo da hierarquia.
Uma embarcação condicionada pelo seu calado (CBD) fica fora desta escada simples. É um navio a motor, pelo que, pela Regra 18(a), daria passagem à vela, à pesca, à RAM e à NUC. Mas a Regra 18(d) acrescenta que as outras embarcações devem evitar dificultar a sua passagem segura. Isto faz da CBD, na prática, uma categoria especial: as embarcações menores e mais manobráveis mantêm-se afastadas dela, ao passo que ela continua a dever passagem à RAM e à NUC.
Regra 18(a) — Responsabilidades do navio a motor
O texto da Regra 18(a) (parafraseado para maior clareza): um navio a motor em movimento deve manter-se afastado de:
- (i) uma embarcação sem governo;
- (ii) uma embarcação com capacidade de manobra restrita;
- (iii) uma embarcação dedicada à pesca;
- (iv) uma embarcação à vela.
Esta é a regra em que a maioria dos comandantes de iate pensa quando se lembra de “o motor dá passagem à vela”. Mas repare que vai muito além da vela. Um iate a motor que se cruze com um arrastão a alar redes, com um navio-cabo, ou com um cargueiro à deriva com avaria do leme tem de se manter afastado de todos eles.
Exemplo prático: está a navegar a motor num iate a motor de 12 m a 8 nós. À frente, um iate à vela de 9 m segue um rumo convergente. A Regra 18(a)(iv) coloca-o a si, o navio a motor, na posição de dar passagem — desde que nenhuma regra de ultrapassagem, canal estreito ou DST prevaleça. Altera o rumo ou a velocidade cedo e de forma substancial (Regra 8), passando com segurança pela popa da embarcação à vela.
Regra 18(b) — Responsabilidades da embarcação à vela
Uma embarcação à vela em movimento deve manter-se afastada de:
- (i) uma embarcação sem governo;
- (ii) uma embarcação com capacidade de manobra restrita;
- (iii) uma embarcação dedicada à pesca.
A “prioridade de passagem” não existe na COLREG, e a Regra 18(b) é uma das regras que o demonstra. Um iate à vela que se cruze com um arrastão estando à vela tem de dar passagem ao arrastão — mesmo tendo uma vela içada. As operações de pesca do arrastão restringem a sua manobrabilidade; a condição de vela livre do iate não.
Exemplo prático: a navegar à vela num pequeno barco de 7 m, avista um arrastão a rebocar uma rede de vara a cerca de uma milha pela amura de bombordo. A Regra 18(b)(iii) coloca-o na posição de dar passagem. Altera o rumo para passar bem afastado do arrastão e (o que é importante) afastado de qualquer aparelho rebocado que se prolongue atrás dele — as luzes e marcas da Regra 26 dão pistas sobre a extensão do aparelho do arrastão.
Regra 18(c) — Responsabilidades da embarcação de pesca
Uma embarcação dedicada à pesca quando em movimento deve, na medida do possível, manter-se afastada de:
- (i) uma embarcação sem governo;
- (ii) uma embarcação com capacidade de manobra restrita.
Repare na expressão "na medida do possível" — as embarcações de pesca estão elas próprias limitadas pelo seu aparelho e operações, pelo que a exigência de se manterem afastadas é mais branda do que para os navios a motor e as embarcações à vela. Mas a prioridade é inequívoca: a pesca dá passagem à RAM e à NUC.
Regra 18(d) — Embarcação condicionada pelo calado (CBD)
A Regra 18(d) é um caso ligeiramente diferente. Diz: "Qualquer embarcação que não seja uma embarcação sem governo ou uma embarcação com capacidade de manobra restrita deve, se as circunstâncias do caso o permitirem, evitar dificultar a passagem segura de uma embarcação condicionada pelo seu calado, que exiba os sinais da Regra 28."
Por isso, a CBD está protegida — mas apenas até ao nível da RAM e da NUC, que continuam a ter prioridade sobre ela. Um VLCC carregado em trânsito por um canal de águas profundas através de águas circundantes pouco profundas exibe as luzes da Regra 28 (três vermelhas, na vertical) e a marca cilíndrica; os outros navios a motor, embarcações à vela e de pesca evitam dificultar a sua passagem. Mas uma embarcação NUC ou RAM não tem de lhe dar passagem.
Regra 18(e) — Hidroaviões e embarcações WIG
Regra 18(e): "Um hidroavião na água deve, de modo geral, manter-se bem afastado de todas as embarcações e evitar dificultar a sua navegação. Em circunstâncias, porém, em que exista risco de abalroamento, deve cumprir as Regras desta Parte."
Os hidroaviões situam-se no fundo da hierarquia de prioridade. O mesmo princípio geral aplica-se às embarcações Wing-In-Ground (WIG) — Regra 18(f) — ao descolar, amarar e em voo junto à superfície. Quando operam como embarcações de deslocamento na água, as embarcações WIG estão sujeitas às Regras de Governo padrão como qualquer outra embarcação.
Quando a Regra 18 NÃO se aplica — as exceções
Três outras regras prevalecem sobre a Regra 18. Memorizá-las vale ouro no exame:
| Regra prevalecente | O que controla | Exemplo |
|---|---|---|
| Regra 9 — Canais estreitos | Num canal estreito, as embarcações com menos de 20 m, as embarcações à vela e as de pesca não devem dificultar a passagem de uma embarcação que só pode navegar com segurança dentro do canal. | Um iate à vela que se cruze com um cargueiro costeiro nas aproximações ocidentais do Solent dá passagem ao cargueiro — mesmo que a Regra 18(a)(iv) colocasse normalmente o cargueiro no papel de dar passagem. |
| Regra 10 — Dispositivos de Separação de Tráfego (DST) | Dentro de um DST, as embarcações com menos de 20 m, as embarcações à vela e as de pesca não devem dificultar a passagem segura de um navio a motor que siga uma via de tráfego. | Um iate à vela que atravesse o DST do Estreito de Dover não tem prioridade sobre os navios a motor nas vias — dá passagem e atravessa em ângulo reto (Regra 10(c)). |
| Regra 13 — Ultrapassagem | Qualquer embarcação que ultrapasse outra deve manter-se afastada da embarcação ultrapassada — independentemente dos tipos de embarcação. | Um iate à vela que ultrapasse um navio a motor dá passagem ao navio a motor. Um navio a motor que ultrapasse uma embarcação de pesca continua a dar passagem como quem ultrapassa (aqui a Regra 13 coincide com a Regra 18(a)(iii)). |
O mnemónico: 9, 10, 13 vencem a 18.
Por que “prioridade de passagem” é o termo errado
Muitos navegadores dizem “tenho prioridade de passagem”. A COLREG nunca usa essa expressão. Em vez disso, as regras falam de embarcações com obrigação de manter o rumo e de dar passagem:
- A embarcação que mantém o rumo deve manter o seu rumo e velocidade (Regra 17(a)(i)) até se tornar evidente que a embarcação que deve dar passagem não está a tomar ação suficiente. Então pode, e eventualmente deve, tomar ela própria a ação.
- A embarcação que dá passagem deve tomar ação cedo e substancial para se manter afastada (Regra 16), passando pela popa da embarcação que mantém o rumo se as circunstâncias o permitirem.
A Regra 18 diz-lhe qual é qual quando os tipos de embarcação diferem. Mas a embarcação que mantém o rumo nunca tem o “direito” de avançar até ao abalroamento — tem o dever de manter o rumo e a velocidade até ao ponto em que isso se torne perigoso, e depois o dever de tomar ação.
Dicas de exame e confusões comuns
A Regra 18 aparece nos exames de Day Skipper, Coastal Skipper, Yachtmaster e na maioria dos exames de oficial de convés STCW. Formas comuns de os examinadores fazerem tropeçar os candidatos:
- Confundir RAM e NUC. RAM = restrição devida à natureza do trabalho (navio-cabo, dragagem). NUC = circunstâncias excecionais (avaria de motor, deriva). As luzes e marcas diferem: RAM vermelha-branca-vermelha na vertical; NUC duas vermelhas na vertical.
- Esquecer que a CBD é, ela própria, um navio a motor. A CBD não tem precedência sobre a RAM ou a NUC — a Regra 18(d) é uma exigência de “não dificultar” imposta às outras embarcações, e não uma elevação de prioridade do tipo de embarcação.
- Presumir que a vela tem sempre prioridade. Uma embarcação à vela dá passagem à pesca, à RAM e à NUC (Regra 18(b)) — e a quem quer que esteja a ultrapassar (Regra 13).
- Esquecer as exceções 9/10/13. Os examinadores adoram cenários de canal estreito e DST em que as prioridades da Regra 18 são invertidas.
- A linguagem de “prioridade de passagem”. Os examinadores podem pedir-lhe diretamente que corrija um candidato que use o termo. Use “manter o rumo” e “dar passagem”.
- Ler mal as luzes à noite. Saber qual é qual (navio a motor, vela, pesca, RAM, NUC, CBD) começa por identificar corretamente as suas luzes — Regras 23 a 31.
Pratique a Regra 18 no simulador
Ler a regra e responder a um questionário é uma coisa. Aplicar a Regra 18 em tempo real sobre uma imagem de ponte em movimento é outra. O simulador de ponte AIS/radar/COLREG da SkipperCheck tem 54 cenários — muitos deles a testar diretamente as prioridades da Regra 18:
- Navio a motor vs Embarcação à vela — Regra 18(a)(iv) na forma pura
- Navio a motor vs Embarcação de pesca — Regra 18(a)(iii)
- Navio a motor vs RAM — Regra 18(a)(ii)
- Navio a motor vs CBD — Regra 18(d)
- Identificar NUC e RAM pelas luzes — Regra 27
- Identificação das luzes de CBD — Regra 28
- Identificação das luzes de embarcação de pesca — Regra 26
O simulador faz parte do Curso de Reciclagem para Comandantes. Três cenários de demonstração gratuitos permitem-lhe experimentar a interface de ponte antes de decidir.
Pratique a Regra 18 no simulador de ponte
54 cenários COLREG, incluindo motor vs vela, motor vs pesca, motor vs RAM, identificação de luzes. Teoria e exame prático ao seu ritmo.
Conheça o Curso de Reciclagem para Comandantes →Perguntas frequentes
O que é a Regra 18 da COLREG?
A Regra 18 — "Responsabilidades Entre Embarcações" — define a hierarquia de prioridade quando tipos diferentes de embarcação se encontram. Os navios a motor dão passagem às embarcações à vela, de pesca, RAM e NUC. As embarcações à vela dão passagem às de pesca, RAM e NUC. As embarcações de pesca dão passagem à RAM e à NUC. As embarcações CBD obtêm um estatuto de “não dificultar” por parte dos outros navios a motor, embarcações à vela e de pesca.
A Regra 18 aplica-se sempre?
Não. A Regra 9 (canais estreitos), a Regra 10 (DST) e a Regra 13 (ultrapassagem) prevalecem todas sobre a Regra 18. Num canal estreito, um iate à vela dá passagem a um cargueiro costeiro confinado ao canal. Dentro de um DST, as embarcações menores e à vela não dificultam os navios a motor nas vias. Numa ultrapassagem, quem ultrapassa mantém-se afastado, independentemente dos tipos.
Qual é a diferença entre RAM e NUC?
RAM (Capacidade de Manobra Restrita) — restrita pela natureza do trabalho que está a ser realizado: lançamento de cabos, dragagem, reabastecimento, desminagem. Luzes: vermelha-branca-vermelha na vertical (Regra 27(b)). Marca diurna: bola-losango-bola.
NUC (Sem Governo) — circunstâncias excecionais tornam a embarcação incapaz de manobrar: avaria de motor, avaria do leme, deriva. Luzes: duas vermelhas de horizonte na vertical (Regra 27(a)). Marca diurna: duas bolas pretas na vertical.
Uma embarcação à vela tem sempre prioridade sobre um navio a motor?
Não. A Regra 18(a)(iv) dá às embarcações à vela prioridade sobre os navios a motor em encontros padrão, mas apenas quando as Regras 9, 10 e 13 não prevalecem. Uma embarcação à vela que ultrapasse um navio a motor dá passagem ao navio a motor (Regra 13). Uma embarcação à vela num DST dá passagem aos navios a motor nas vias de tráfego (Regra 10). Um iate à vela que se cruze com uma embarcação de pesca dá passagem à embarcação de pesca (Regra 18(b)(iii)).
O que é uma Embarcação Condicionada pelo seu Calado (CBD)?
Um navio a motor cujo calado restringe a sua capacidade de se desviar do rumo — tipicamente uma embarcação de grande porte em trânsito por um canal dragado através de águas circundantes pouco profundas. Luzes: três vermelhas de horizonte na vertical (Regra 28). Marca diurna: um cilindro. Os outros navios a motor, embarcações à vela e de pesca não devem dificultar a sua passagem segura (Regra 18(d)), mas ela continua a dar passagem à RAM e à NUC.
O que significa realmente “não dificultar”?
“Não dificultar” é mais fraco do que “manter-se afastado”. Significa: posicione-se e opere de modo que a outra embarcação não tenha de alterar o rumo ou a velocidade para o evitar. A Regra 8(f) desenvolve esta linguagem e o modo como interage com o quadro de dar passagem / manter o rumo.
Existe um auxiliar de memória para a ordem de prioridade da Regra 18?
Um mnemónico comum para a ordem de dar passagem (do navio a motor para cima): "O motor dá passagem à vela; a vela dá passagem à pesca; a pesca dá passagem à RAM; a RAM dá passagem à NUC." Ou de cima para baixo: a NUC tem precedência sobre a RAM, que tem precedência sobre a Pesca, que tem precedência sobre a Vela, que tem precedência sobre o Motor. A CBD encaixa entre o navio a motor/vela/pesca (que evitam dificultá-la) e a RAM/NUC (a quem ela continua a dar passagem). Lembre-se sempre das exceções 9/10/13.
Como sei com que tipo de embarcação estou a lidar à noite?
Pelas luzes. Cada tipo de embarcação tem um padrão de luzes definido nas Regras 23–31. Navio a motor: luz de mastro + luzes de bordo + luz de alcançado. Vela: luzes de bordo + luz de alcançado (sem luz de mastro). Arrasto: verde-sobre-branca mais luzes de bordo/alcançado quando em movimento (Regra 26(b)). Outra pesca: vermelha-sobre-branca. RAM: vermelha-branca-vermelha na vertical mais luzes de navio a motor quando em movimento. NUC: duas vermelhas na vertical, mais luzes de bordo/alcançado quando em movimento. CBD: três vermelhas na vertical mais luzes de navio a motor. O glossário e os cenários de luzes do simulador treinam isto.
Leituras relacionadas
- COLREG Regra 23 Explicada — Luzes dos Navios a Motor — identificar embarcações pelas suas luzes
- COLREG Regra 24 Explicada — Luzes de Reboque e Empurra — detetar um reboque à noite
- Como Enviar uma Chamada de Socorro MAYDAY no Rádio VHF Marítimo — procedimento de Mayday passo a passo
- Certificado de Curto Alcance (SRC) — Guia Completo — a qualificação de VHF marítimo
- Lições de vela em vídeo gratuitas — VHF, COLREG, cartas náuticas e mais
- Todos os cenários do simulador — prática de COLREG e VHF
Domine a Regra 18 em 54 cenários do simulador de ponte
O Curso de Reciclagem para Comandantes online da SkipperCheck inclui o simulador de ponte AIS/COLREG com cenários de motor-vs-vela, motor-vs-pesca, motor-vs-RAM e identificação de CBD. Ao seu ritmo, exame online, pronto para o pré-charter.
Comece o Curso de Reciclagem para Comandantes →